A mensagem que circula nas redes sociais traz uma reflexão muito verdadeira: não podemos chamar de modernidade aquilo que abandona quem mais precisa de acolhimento. Hoje, muitos idosos e pessoas com deficiência enfrentam enormes dificuldades para acessar serviços básicos porque tudo virou aplicativo, senha, código, portal, link ou atendimento automático.
Essa realidade preocupa muito o meu mandato.
É claro que a tecnologia é importante. Ela facilita a vida de muita gente, agiliza processos e moderniza serviços. Mas ela não pode ser uma barreira. Quando um idoso precisa marcar uma consulta, resolver um problema no banco, falar com uma empresa, acessar um benefício ou registrar uma reclamação, ele não pode ser obrigado a depender exclusivamente de um celular ou de um computador.
Nem sempre esse idoso tem um filho, um neto ou uma pessoa de confiança por perto. E, muitas vezes, na necessidade, ele acaba pedindo ajuda para desconhecidos. É justamente nesse momento que muitos se tornam vítimas de golpes, passam dados pessoais, fazem procedimentos errados, autorizam operações sem entender ou acabam prejudicados dentro de sistemas que deveriam protegê-los.
Foi pensando nessa realidade que apresentei o Projeto de Lei nº 439/2025, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. A proposta assegura atendimento presencial em estabelecimentos públicos e privados para pessoas com deficiência e idosos. O texto prevê que repartições públicas, concessionárias de serviços públicos, instituições financeiras e estabelecimentos comerciais disponibilizem opção de atendimento presencial, com acesso prioritário, imediato e em locais adequados e acessíveis.
O projeto também deixa claro que não podem ser impostas barreiras físicas, tecnológicas ou burocráticas que dificultem o acesso dessas pessoas ao atendimento. Além disso, prevê que SACs e ouvidorias informem logo no primeiro contato sobre a possibilidade de atendimento presencial e como acessá-lo.
Essa proposta não é contra a tecnologia. Pelo contrário: a tecnologia deve caminhar junto com a inclusão. O que não podemos aceitar é que a modernização vire desculpa para deixar para trás idosos, pessoas com deficiência e cidadãos que têm dificuldade com ferramentas digitais.
Quando esse projeto virar lei, ele será de grande serventia para muitas pessoas que hoje se sentem perdidas, inseguras e até humilhadas diante de sistemas que não conseguem usar sozinhas.
Meu mandato é do povo. E legislar para o povo é meu dever.
Seguirei trabalhando para que a política chegue onde a vida real acontece: na fila, no balcão, no atendimento, na casa das famílias e na dificuldade de quem muitas vezes só precisa ser ouvido com respeito.
Modernizar é importante. Mas cuidar das pessoas é indispensável.



